Como você pode diminuir o uso do cimento da sua obra?

A indústria do cimento, principalmente no Brasil, tem elevado poder poluidor, além de consumir materiais e energia de fontes não renováveis. A produção global de cimento portland é responsável por algo em torno de 6% de todas as emissões antropogênicas de CO2 (John, Oliveira e Agopyan, 2005). Durante as queimas ocorridas nos fornos de clínquer, um volume grande de material particulado é emitido na atmosfera e muita energia é gasta. A indústria do cimento, pela sua magnitude, consome 5% do consumo total de energia do setor industrial.

Porém não podemos ficar sem o cimento, esta grande invenção de mais de 5 mil anos e que propiciou a construção de obras fantásticas. O que podemos fazer é usar recursos para não ficarmos tão dependentes desta matéria-prima e usá-la de forma mais sustentável:

  1. Contrate um engenheiro calculista, uma estrutura bem calculada fará com que não haja excesso de concreto armado na obra o que é comum quando a obra é feita por leigos que preferem “errar pelo excesso”;
  2. Alivie cargas na obra utilizando materiais leves, assim as estruturas ficarão mais delgadas fazendo menor uso do cimento;
  3. O uso de tijolo cerâmico maciço ou blocos de solo estabilizado (solo-cal, adobe…) aparentes diminui muito o uso do cimento porque dispensa pilares e vigas de concreto e dispensa o reboco;
  4. Contrate mão-de-obra qualificada, o que evitará desperdício de cimento, principalmente em rebocos muito espessos;
  5. Substitua o cimento pela cal, que bem menos poluente. A substituição pode ser completa na massa de assentamento: use a proporção de uma parte de cal para 4 de areia.
Há alguns produtos no mercado bastante eficientes no uso do cimento, como é o exemplo do Reboco fino:

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=TJFUqnQO1a4]

No Brasil, como a produção do cimento é bastante diversificada e dispersa, dependendo dos recursos locais, cada região brasileira conta com a disponibilidade de algum tipo diferente de cimento. No nordeste brasileiro, optar pelo cimento CPIII, por exemplo, além de ser alternativa mais sustentável, é mais econômica e mais viável, por ser o tipo de cimento mais comum na região. No sul do Brasil, o uso mais comum é do CP IV, ou cimento pozolânico, que possui em sua mistura cinza volante resultante da queima de carvão mineral[1].

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[1] O estado de Santa Catarina é grande produtor de carvão mineral, já possui uma grande reserva.

Pisos com conteúdo reciclado

Para se adequarem às novas exigências do mercado, algumas empresas desenvolveram pisos que possuem conteúdo reciclado na sua composição. Selecionamos vários deles aqui:

Piso EcoStone, da Eliane: produzido com Sistema de gestão ambiental, o piso Ecostone pode ser considerado um dos mais sustentáveis no Brasil, com 60% de massa reaproveitada e uso consciente de energia limpa (90% de água reaproveitada do processo e até 50% de economia de energia elétrica no processo de moagem). Possui 3 cores (branco, crema, mocca e sépia) eo preço fica em torno de R$ 100,00 o metro quadrado.

A Portobello também desenvolveu 3 linhas de porcelanatos sustentáveis com conteúdo reciclado e menor consumo de água e energia na produção:
Linha Habitat e Planet, os pisos sustentáveis mais econômicos do mercado, no valor de aproximadamente R$ 35,00 o metro quadrado::

Linha Brava, para áreas externas:

A Neostone lançou toda uma linha sustentável, a Linhas ecologic:
Pietra Reciclata (100% de material reciclado)
Ecotech (70% material reciclado)
GreenTech (40% material reciclado)
Crystal ( 40% material reciclado)

Para áreas de pavimentação, a Braston desenvolveu um piso intertravado de concreto com 80% de conteúdo de pneu moído. O preço é um pouco maior que o padrão, em torno de R$ 120,00 o metro quadrado:

Na área de cimentícios, a Concresteel possui uma linha somente com conteúdo reciclado:

A linha Ar, leva pneu na composição.
A linha com conteúdo de vidro temperado lixado (Dubai, Fogo Barro, Fogo Neve).
A linha com resíduos de construção e demolição (Magma, Terra Barro, Terra Cinza).

Quer saber mais sobre materiais sustentáveis? Adquira a apostila sobre materiais sustentáveis da Ecodhome:

Casas com material reciclado

Já tem gente construindo casas inteiras com “lixo”, isto mesmo, procurando na internet, encontrei alguns modelos de casas feitas com aproveitamento de garrafas PET, pneus, etc. O conceito chama-se EarthShip, e já há dezenas delas construídas nos EUA e na América Latina.

Veja alguns exemplos:

Esta casa em Honduras foi construída com 8000 garrafas PET, veja site Green Diary.

Esta casa popular foi construída no México:

Crianças fazendo uma parede de garrafas PET na Argentina:

Veja as obras de algumas EarthShips:

E o resultado final:

Casa eco

Alguns detalhes com uso de garrafas de vidro:

Construção com terra crua

A construção com Terra é uma das técnicas mais antigas utilizadas na construção civil. Seu resgate vem se intensificando na última década na medida em que a demanda por construções mais sustentáveis se estabelece. O alto custo energético dos materiais utilizados hoje (como o tijolo de barro cozido) faz o homem voltar seus olhos para a terra: inesgotável e acessível a todos.
Segundo o ABCTerra, a desvalorização da terra como material construtivo remonta há pouco mais de três séculos, quando a terra crua foi substituída pelo tijolo cozido, posteriormente industrializado e promovido pela sociedade industrial rica em energia (pois sua produção exige a queima de madeira, energia fóssil ou eletricidade). A partir de então, a casa de terra crua passou a significar habitação característica dos menos favorecidos e, portanto, repudiada. Mas este quadro se alterou a partir de 1973, com a crise de energia, aliada às preocupações ecológicas e à mudança de mentalidade dos escalões superiores das sociedades desenvolvidas.

EASTON (2006) acredita que hoje, metade da população mundial ainda vive ou trabalha em construções feitas com terra. Segundo dados do HABITERRA, 200 milhões de pessoas constroem com terra crua ainda hoje no mundo. Para a ABCTerra (Associação Brasileira dos Construtores com Terra), a construção com terra rompe a impessoalidade que caracteriza as construções padronizadas das grandes metrópoles.

Para CASANOVA (2003) as vantagens da construção com terra ainda vão desde a economia até a ecologia. Ele acredita que uma casa de alvenaria de 40 metros quadrados pode ficar 40% mais barata se for construída com terra. Para a mesma casa dispensando-se o tijolo cozido, menos 12 árvores de médio porte ou 170 litros de óleo deixam de ser queimados, gerando menos poluição e CO2 na atmosfera.

A construção com terra passou por inúmeros processos através dos tempos adequando-se às necessidades de cada cultura e local. Muitos estudos ultimamente vêm procurando formas de melhorar o comportamento físico-mecânico deste tipo de material para garantir-lhe longevidade e conseqüentemente viabilidade técnica.

As técnicas que utilizam a terra crua são diversas, podem ser tradicionais e artesanais como:
o Adobe: como os utilizados nessas imagens da casa Cantar do grilo feita pelo escritório português Betão e Taipa:

Pau a Pique, como neste projeto atual:

Paredes Monolíticas (TAIPA), como nesta casa americana:

O Cob., que é um sistema mais artesanal, feito com as mãos, alisando a parede, utilizando uma mistura com esterco:

O Cob Wood, que é bem interessante, por utilizar blocos de troncos de madeira:

Hoje há muitas técnicas atualizadas de construção com terra crua:
PISÉ para paredes monolíticas com uso de mangueira de alta pressão. O Pise é utilizado nas obras do arquiteto David Easton:

BLOCOS INDUSTRIALIZADOS DE SOLO CIMENTO: fabrica blocos de tijolo de solo cimento e vende prensas manuais e hidráulicas. A casa Modelo foi feita em blocos de solo-cimento, veja a parede de tijolos aparentes na escada:

Design inteligente é design sustentável

Cada vez mais percebemos que os modismos não vêm para ficar e sim para ir embora rapidinho! O foco tem sido este, nada dura muito tempo e você logo quer trocar de sofá, de estante, de cores, de paredes… antes mesmo disto tudo estragar ou estar em mau estado. A obselescência das modas chegam antes da obselescência do próprio objeto. E a sustentabilidade, onde fica?

Acreditamos que design inteligente mesmo é aquele que vem para ficar, que dura anos, é atemporal, honesto, útil, inovador, isso sim é sustentabilidade. Um design muito modista não tem durabilidade e perde razão de ser em poucos anos, ou seja, é um design ruim, como dizia o grande mestre Dieter Rams: “O bom design é tão pouco design quanto possível”. O desenho de Dieter é bruto, limpo, direto, mas causou uma revolução, mostrando que a simplicidade e a modulação leva a obselescência para longe.

Vivemos num mundo super-consumista, porém nossos estilo de vida não se sustentará por muito tempo, é preciso mudar padrões. Projetar os ambientes internos deve ser tarefa inteligente, com olhar apurado sobre o que já existe e o que deverá ser criado, avaliando tudo que entrará e sairá do processo. Um grande nome, que veio para revolucionar conceitos de design é Ken Yeang, em seu livro Ecodesign ele oferece um novo desafio ao design e traça novos paradigmas a serem seguidos:

 Projetar para reutilização (DFD);
 Projetar para reciclagem (DFD);
 Projetar para durabilidade;
 Projetar para reduzir a quantidade de materiais usados;
 Projetar para minimizar o desperdício;
 Projetar para a reintrodução ao ambiente natural, utilizando materiais biodegradáveis e atóxicos;
 Projetar para o conserto e manutenção para a reutilização;
 Projetar para o aperfeiçoamento, “upgrading”;
 Projetar para substituição.
 Use materiais reciclados e recicláveis onde for possível;
 Minimize o número de tipos de materiais;
 Evite materiais tóxicos e perigosos;
 Evite materiais compostos, pois podem ser de difícil reciclagem;
 Padronize e identifique sempre os tipos de materiais;
 Minimize o número de diferentes tipos de componentes;
 Use conexões mecânicas ao invés de químicas;
 Use projeto modular;
 Projete juntas e conectores para resistir a montagens e desmontagens repetidas;
 Use materiais e componentes leves;
 Identifique sempre o ponto da desmontagem.

Procurando seguir este modelo, a Ecodhome projetou a loja Eco, que desde o princípio foi sustentável. A loja Eco comercializa produtos infantis de empresas que possuem ações sócio-ambientais comprovadas. O projeto da loja partiu do conceito “less is more” tentando minimizar a quantidade de móveis e “coisas” sem uso, tudo dentro da loja tem uma razão de ser e os móveis foram limpos retos e modulares, porém sem perder o charme, assim as mudanças do tempo podem ocorrer sem percalços e perdas e os módulos podem até serem reaproveitados para outros usos, como o doméstico.

Saiba mais sobre o projeto e assista ao vídeo que explica todo o processo de criação da loja Eco, projetada pela Arquiteta Carine Nath da Ecodhome, AQUI.

Coberturas sustentáveis

As coberturas dos edifícios são grandes responsáveis tanto pelo conforto ambiental no seu interior como na qualidade dos ambientes nas grandes cidades. Isto porque as coberturas são um grande pano de contato com o ambiente externo, interagem com os raios solares (absorvendo-os ou refletindo-os), influenciando tanto quem está dentro do edifício como no microclima urbano.

Neste post daremos exemplos de coberturas que podem ser consideradas mais sustentáveis.

As coberturas verdes são as mais populares, sendo os maiores exemplos de cobertura sustentável, pois além de seus ganhos térmicos, possui muitos ganhos para o microclima urbano.

As coberturas brancas vêm sendo muito divulgadas e já existem projetos de leis municipais no Brasil que incentivam o uso de telhas de cor clara. As telhas de cor clara têm alta capacidade reflexiva e impedem os ganhos de calor pela radiação do sol, melhorando o conforto térmico no interior do eficício. Além disso, as coberturas brancas não criam uma superficie quente, melhorando também o microclima urbano. No mercado existem telhas brancas com camadas termoacústicas que aumentam ainda mais o desempenho térmico da cobertura. O uso de coberturas reflexivas termoacústicas contam pontos nas certificações como LEED, Selo Azul da Caixa e AQUA. Se você tem uma cobertura escura, tem a alternativa de pintá-la de cor clara, segundo o Laboratório Lawrence Berkeley,na Califórnia, um telhado pintado de branco reflete até 90% do calor do Sol (diferente dos telhados escuros que absorvem), diminuindo em até 6 graus a temperatura dentro das edificações,com isso reduz de 20% a 70% o consumo de energia ligado a refrigeração dos ambientes( ar-condicionado e ventiladores).

No Brasil, há também telhas de material reciclado, feitas de tubo de pasta de dente ou de embalagens TetraPack. A casa Modelo feita pela Ecodhome tem a cobertura feita por estas telhas, que também são reflexivas devido à presença de alumínio.

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Há muitas soluções sustentáveis para as coberturas e é incrível pensar que as coberturas dos edifícios de uma cidade podem mudar a qualidade de vida de seus moradores. Portanto, cuidado ao selecionar o material para seu telhado! A Eco-cidade de TianJin, a ser construída na China é um exemplo a ser seguido, com seus telhados verdes e placas fotovoltaicas:

Caso você não abra mão de um telhado tradicional de telhas de barro, há a possibilidade de fazer escolhas acertadas: procure sempre comprar em empresas que têm garantia de qualidade; escolha por telhas sem esmalte, pois elas têm menos componentes tóxicos; escolha telhas de cores mais claras para refletirem os raios solares e utilize mantas de isolamento, muito comuns no mercado e que melhoram em 80% o conforto térmico da casa.

Plástico – prejudicial ou ecológico?

Os plásticos, apesar de terem trazido grandes avanços para a humanidade, também vem trazido sérias preocupações. O material é, hoje, excessivamente abundante e pode estar se tornando um inimigo invisível para a vida no planeta. Invisível porque seus efeitos ainda estão sob estudos e são difíceis de serem analisados isoladamente, apesar de seu uso já ser difundido há décadas. Toneladas do material ainda não tem encaminhamento após o final de seu ciclo de vida (como a reciclagem, por exemplo) e acumulam-se sobre a superfície terrestre, muitos de seus componentes já estão presentes em nossos organismos, nos dos animais, nas plantas que ingerimos e na água que bebemos.

A indústria plástica ainda envolve uma gama de substâncias consideradas perigosas por órgãos de saúde, tais como: dioxinas (presentes no PVC), parabenos, bisfenol A (presente no PET, nas resinas epoxi e no policarbonato), bisfenóis policlorinados e ftalatos (ambos presentes no PVC),entre outros. O perigo destes componentes é sua capacidade de penetrar nos organismos vivos e causar contaminação sistêmica.

Felizmente, existe preocupação com o futuro do uso dos plásticos e no Brasil já foi inventado o primeiro plástico verde, isento de substâncias prejudiciais. O plástico verde é fabricado a partir do etanol da cana de açúcar, e 100% baseado em mateira prima renovável. Com esta tecnologia é possivel absorver o CO² da atmosfera e transformá-lo em plástico. Além dos aspectos ambientais, o plástico verde possui propriedades idênticas às do plástico tradicional e tem aplicação em mercados como o automobilístico, indústria de brinquedos, embalagens para alimentos e produtos de higiene , entre outras.

Para saber mais sobre plásticos na indústria da construção acesse nosso site e veja o artigo sobre plásticos, que faz parte da nossa apostila sobre materiais de construção e sustentabilidade.

Um artigo da rede Permear explica de forma cautelosa os efeitos de alguns elementos provindos dos plásticos:

http://www.permear.org.br/2007/11/13/os-perigos-do-plastico-para-nossa-vida/

Tintas ecológicas

Você sabia que a maioria das tintas que vemos por aí podem emitir componentes poluentes que fazem mal à natureza e à saúde? Mesmo depois de pintada, a superfície com tintas acrílicas, esmaltes e vernizes continua emitindo componentes contaminando o ar no interior dos edifícios. Estes componentes chamam-se COV, ou seja, componentes orgânicos voláteis.

As tintas do mercado possuem muitos componentes poluentes, tais como: benzeno, fenóis, chumbo, resinas alquídicas. Estes elementos, em grande quantidade no ar podem causar doenças e mal-estar nos usuários, um conjunto de sintomas da chamada Síndrome do Edifício Enfermo.

É muito comum verificar a presença da Síndrome do Edifício Enfermo em edifícios comerciais com grande quantidade desses materiais e pouca troca de ar em seu interior. Seus ocupantes podem apresentar desde baixo rendimento no trabalho, até dores de cabeça, congestão nasal, náuseas e cansaço.

O Benzeno está em todo o ar dos centros urbanos, pois provém da fumaça do cigarro, dos escapamentos dos automóveis, das tintas imobiliárias e emissões industriais diversas. O Benzeno pode causar sonolência, taquicardia, dores de cabeça tremores, vômito, entre outros sintomas que, apesar de não chamarem atenção, diminuem nossa qualidade de vida.  Os Fenóis e o Formaldeído, tão presentes em tintas e lacas, são compostos orgânicos poluentes e muito prejudiciais à saúde, podendo causar até câncer se inalados em grande quantidade.

E quais são as soluções?

Hoje, no mercado, já existem algumas opções de tintas e vernizes “sem cheiro” ou a base de água. Apesar destas indicações não classificarem o material como sustentável, podem garantir o menor impacto (segundo alguns atributos) do que o material convencional. Algumas empresas também vêm buscando minimizar a quantidade dessas substâncias nas tintas e algumas delas vem sendo certificadas pelo selo Sustentax, que garante que as tintas certificadas possuem baixa emissão de poluentes, como é o caso de muitas tintas Latex, por exemplo.

Outra solução é a busca por tintas que não contém nenhuma substância tóxica, como é o caso das tintas naturais, a base de cal e minerais. Essas tintas podem ser fabricadas na obra mesmo e tem um custo bastante reduzido, apesar de não oferecerem um padrão de qualidade satisfatório.  Algumas empresas vem fabricando tintas com qualidade bastante superior e de alta qualidade ambiental, como é o caso das Tintas Solum, utilizadas na casa modelo:

Imagem da Casa Modelo – parede com tinta Solum cor café com leite aplicada direto no reboco, parede com tinta Latex aplicada sobre selador a base de água e parede de tijolo a vista com resina impermeabilizante a base de água – soluções menos impactantes na obra.

tinta de cal

Pintura interna da Casa Modelo – pintura a base de cal feita na obra.

Como fazer uma pintura de cal:

Passo 1: em uma lata de 18 litros limpa e vazia coloque 1 pacote de cal especial para pintura e preencha com água até 4 dedos da borda. Deixe a mistura feita por 24 horas e mexa de vez em quando.

Passo 2: na hora do preparo misture o pó xadrez da cor desejada até o máximo de 500g para cada lata, adicione 200ml de óleo de linhaça e misture muito bem.

Passo 3: limpe a superfície de reboco (liso ou texturizado) e molhe-a com uma broxa;

Passo 4: aplique a mistura com broxa, começando por uma camada fina, geralmente são necessárias 3 demãos, é necessário aplicar uma demão logo após a outra, sem secar. Espere secar após a terceira demão para ver deu cobertura.

Do que é feita uma casa sustentável?

O ambiente construído deve ser repensado, reconceituado, considerando que cada componente num projeto de um edifício representa certa quantidade de energia e materiais consumidos, uma quantidade de poluentes emitidos e uma parte dos ecossistemas degradados (YEANG, 2006. P.315. Tradução nossa).

De uma perspectiva ambiental, o arquiteto passa a ser eticamente responsável pela disposição dos materiais no sistema construído “da fonte e de volta à fonte” e pelo destino de longo prazo do sistema projetado. O arquiteto deve considerar a edificação como uma forma de administrar energia e materiais e, em conseqüência, administrar de maneira prudente os recursos naturais (YEANG, 2006).

Pensando nisso, do que deve ser feita uma casa sustentável? Quais soluções são as ideais, levando em consideração que a casa afetará o ecosistema em que está inserida sistemicamente?

Na verdade solução ideal não existe, é preciso levar em consideração os recursos locais, por recurso pode-se entender materiais, energia, água, inclusive resíduos e recursos financeiros, afinal a sustentabilidade social e economica também deve existir.  Outro ponto a se considerar é a cultura e aceitação do sistema construtivo por quem vai usar e quem vai construir, nada adianta um sistema que será culturalmente rejeitado e não será reproduzido!

Para alguns, as edificações deverão se valer da melhor forma das tradições e materiais de cada região, premissas da bioconstrução. Este novo regionalismo baseia-se nos materiais construtivos locais e responsabilidade climática, econômica e cultural, com soluções adequadas. Como exemplo disso, pode-se citar o uso de terra estabilizada na forma de solo-cimento, adobe e pau-a-pique, uma releitura de técnicas tradicionais que vem sendo utilizadas em algumas casas sustentáveis brasileiras, como é este exemplo do escritório do IPEC (instituto de permacultura do cerrado).

 

Yeang (2006) defende o alto desenvolvimento tecnológico gerando novos materiais e sistemas prediais que podem tanto diminuir impactos como também podem promover um aumento de bem-estar humano e incremento no ecossistema local. A exemplo disso tem-se seus arranha-céus, que são harmonicamente inseridos no local, com integração de materiais orgânicos e inorgânicos, minimizando impactos negativos, mas fazendo uso de alta tecnologia.

Há também o conceito da pré-fabricação, com projeto ecológico modular com materiais de baixo impacto e, muitos deles reciclados ou reaproveitados. Um exemplo disso é o módulo de moradia miniHome criado pelo Sustain Design Studio no Canadá. A casa chega pronta no local; pode ser desmontada e transportada; e ainda tem projeto flexível podendo receber mais cômodos com o tempo. Possui telhado jardim, coleta de água de chuva, espaço para produção local de alimentos e sistema de tratamento de efluentes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sustentabilidade é isso, não é uma receita de bolo pronta, cada caso será um caso. Como diz Schumacker, é preciso pensar localmente para resolver os impactos globalmente.

Para a melhor escolha, uma série de fatores incide na escolha de materiais e componentes de forma mais sustentável:

  • fontes de energia renováveis na produção ou manutenção e baixa energia embutida (inclusive no transporte);
  • alto conteúdo reciclado, maximizando futura reutilização ou reciclagem;
  • potencial do material para ser continuamente reutilizado ou reciclado no fim de sua vida útil;
  • baixo impacto ecológico na produção (emissão, resíduo e poluição baixos);
  • biodegradabilidade;
  • produção local dos materiais ou uso de materiais que não são refinados e mais próximos de seu estado natural, já que assim é gasto menos energia para utilizá-lo;
  • baixa toxicidade para humanos e ecossistemas;
  • método de instalação e desinstalação facilitada;
  • ciclo de vida longo para maior durabilidade e menor uso de recursos.